A AdVids publicou em 2025 um diagnóstico sobre produção de vídeo B2B que vai muito além do contexto de inteligência artificial que motivou a pesquisa. O dado central é este: apenas 4% dos profissionais de marketing B2B confiam plenamente em conteúdos produzidos sem revisão humana qualificada. E 86% gastam tempo editando esses conteúdos antes de publicar.
O que esse número revela não é uma desconfiança específica em IA. É a evidência de que a maioria dos gestores já sabe, intuitivamente, que o material que está sendo entregue não está à altura da marca. E ainda assim publica.
Isso é o vídeo oco. Não necessariamente mal filmado. Não necessariamente sem tratamento técnico. Mas estrategicamente vazio. Sem ponto de vista. Sem tensão narrativa. Sem nada que faça o espectador parar, assistir e associar àquela marca algo que ele deseje ter próximo da sua empresa.
O mercado B2B brasileiro convive com esse fenômeno em escala crescente. Especialmente nos dois polos de demanda corporativa mais densos do país: a produção audiovisual em BH (Belo Horizonte) e SP (São Paulo) cresceu em número de fornecedores, em volume de projetos e em sofisticação técnica. Mas nem sempre cresceu em profundidade estratégica.
A causa é conhecida por quem trabalha no setor, e a NIIN Content a observa de perto no dia a dia: a maioria das empresas B2B escolhe seus fornecedores audiovisuais por preço ou por estética. Avalia o portfólio, verifica se a fotografia é bonita, compara o orçamento e fecha. Raramente pergunta sobre processo criativo. Raramente questiona como o fornecedor entende a marca, o que ele faria diferente do concorrente, qual é o ponto de vista editorial dele sobre o negócio do cliente.
O resultado é um briefing que começa pelo formato, não pelo problema. Um vídeo institucional de dois minutos. Um case de cliente. Um filme para o LinkedIn. A forma foi definida. O conteúdo — o que a marca realmente precisa dizer e como precisa soar para gerar confiança — ficou de fora da conversa.
Em 2026, criar comunidade e aprofundar a relação com clientes estão entre as principais prioridades do marketing B2B global. Essas coisas não se constroem com vídeo genérico. Elas se constroem com conteúdo que tem substância, que revela uma empresa capaz de pensar, não apenas de aparecer.
A pergunta que os CMOs brasileiros precisam colocar na agenda é direta: quem está revisando o alinhamento estratégico do vídeo antes da aprovação final? Se a resposta for apenas o coordenador que aprovou o orçamento mais baixo, o vídeo oco já está a caminho da publicação.